O currículo de pós-graduação não é o seu currículo de emprego
Muita gente ajusta duas linhas do currículo de emprego, envia — e some na primeira triagem. Não por falta de conquistas: o leitor mudou. O comitê de admissão caça algo que o RH nunca olha.

O leitor é um professor, não o RH
O RH escaneia empregabilidade imediata, sete segundos por vez. O comitê lê por mais tempo e caça um único sinal: potencial de pesquisa — você consegue definir uma pergunta, escolher um método e terminar algo que não tem gabarito?
Por isso os troféus do currículo de emprego — clientes, receita, impacto de negócio — descem para o plano de fundo aqui. As duas semanas que você passou remendando um dataset que ninguém te dava valem mais do que um trimestre de meta batida.
A ordem se inverte: formação no topo
- Formação primeiro e densa: grau, departamento, GPA com a escala (3.8/4.0 — nunca deixe adivinharem), colocação se for forte, e quatro a seis disciplinas relevantes para a área-alvo.
- Prêmios com denominador: “Dean’s List, top 3% de 220” se lê; o nome do prêmio sozinho, não.
- Experiência profissional desce e é podada ao que sustenta a candidatura. Seu estágio de marketing é uma linha — ou zero — numa candidatura de computação.
- Uma página. O “CV” de três páginas é para concurso de docente; para mestrado, densidade ganha de comprimento.
Como escrever experiência de pesquisa sem inflar
O pânico comum: “não tenho publicação, logo não tenho experiência de pesquisa.” Comitês não esperam publicações de candidatos a mestrado. Esperam a FORMA da pesquisa: uma pergunta, um método, a sua contribuição própria, um desfecho.
Projeto de disciplina, TCC, iniciação científica, até uma análise de trabalho suficientemente rigorosa — tudo se qualifica, escrito assim: qual era a pergunta, o que você tentou, que parte era sua (não “nós”), o que saiu.
Números continuam mandando — só muda o tipo
Currículo de emprego conta receita; o acadêmico conta tamanho de amostra, escala de dataset, número de experimentos, colocações, valor de bolsa, alunos que você ensinou. O princípio é o mesmo dos dois lados: afirmação sem número é lida como adjetivo.
No editor, troque a editoria de setor para Pós-graduação e a página gerada passa a seguir essas convenções — formação na frente, pesquisa como evidência, verbos como Researched, Analyzed, Co-authored. Número que falta continua virando lacuna [N]: a entrevista de admissão vai cavar os seus números exatamente como qualquer outra.
O guia cobre o que acontece na mesa de entrevista; quem te senta nela é o currículo — escreva nas suas palavras e receba a página em inglês em dez segundos